O real motivo de você não ter nada para vestir – parte II

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Há dois anos fui contratada para realizar o planejamento de identidade visual de uma cliente e posteriormente ela me contratou para realizar a revitalização em seu guarda-roupas e a montagem dos looks e não podia ter caso real melhor do que esta para descrever o real motivo de você não ter nada para vestir.

A etapa de montagem de looks é a mais reveladora, pois ensino na prática como utilizar o que cada cliente já tem de maneiras diferentes das quais ela já está habituada, é uma etapa que multiplica as peças que cada uma já tem, mas isso eu conto em um outro momento.

Voltando ao caso real, neste momento de olhar todas as peças e montar as possibilidades de looks com o que ela já tinha, não servia nada.

As blusas estavam no limite do tamanho e as calças, pelo peso visual desta cliente em questão ser maior na parte superior do corpo, ela estava se apertando em calças 38/40, deixando o visual nitidamente desconfortável.

Após perceber a frustração da minha cliente, conversamos e encerrei a sessão sugerindo um café no próximo encontro (que tecnicamente seria o dia de montar os looks).

Agendei nosso encontro em uma cafeteria dentro do shopping alegando a comodidade e segurança do estacionamento, mas na verdade fui até uma fast fashion e antes dela chegar deixei 3 looks separados em um provador, no tamanho perfeito dela.

Ao chegar, ela me ligou e eu pedi que me encontrasse na fast fashion, pois queria mostrar-lhe uma coisa. Como tínhamos falado anteriormente da possibilidade de provar pela primeira vez uma pantacourt, usei este pretexto, a encaminhei até o provador para experimentar a tal calça e claro que já tinha também uma blusa para coordenar.

Ao sair do provador e olhar no espelho do corredor, maior e mais iluminado, expliquei sobre as possibilidades de uso da peça, pedi para que ela se olhasse 360 graus no espelho, que agachasse, sentasse, para então perguntar como ela estava se sentindo. Ao terminar de ouvir, falei sobre o caimento daquela peça versus as calças que ela tinha no guarda-roupas.

E como o efeito visual é muito mais importante que o número da etiqueta. Uma peça no tamanho certo, seja ela qual for, tem um caimento bom, é confortável e isso tudo deixa o visual bacana, sem aparentar ser um número ou outro.

Ela se trocou e fomos tomar nosso café, a conversa foi leve, feliz, pois ela compreendeu que número não diz quem ela é como pessoa, é só um número.

Vejo muito isso acontecendo, roupas que não servem mais sendo guardadas, ocupando espaço e deixando as mulheres tristes por não ter o que vestir, sabotando sua própria autoestima com números, etiquetas que só as fazem se sentir piores, mesmo sendo maravilhosas.

É muito frustrante acordar atrasada e começar a vestir peças que não servem, que estão apertadas, desconfortáveis, que ao invés de te valorizar, te deprecia, então eu te peço, por favor: Deixe de ser escrava desta nomenclatura numérica, você é mais, tão mais que se eu te pedir para se descrever em uma frase, não saberá como, então porque se reduzir a dois dígitos pequenos?!

Tire do seu guarda-roupas as peças que não te vestem, se for para te estimular a chegar em um objetivo minha dica é deixar uma peça em um cabide onde você veja sempre, mas não dentro do guarda-roupas para te confundir quanto a utilidade dela. Deixe este cabide atrás da porta do banheiro, para que seja diário seu estímulo, para que seja fácil provar quando você bem entender, mas NUNCA, sob hipótese alguma use-a como instrumento de tortura.

Você é, não precisa aparentar, muito menos provar, a sua beleza.

Publicitária, Produtora de Moda, Personal Stylist, Consultora de Imagem especializada em acessórios pela renomada escola francesa Ecole Supérieure de Relooking. Atua com a autoestima feminina há 15 anos, interagindo com conhecimento e seu olhar criativo para que todas (que já passaram ou passarão em sua vida), possam alcançar o objetivo de ser feliz e realizada consigo mesma, em uma leve diversão de esconder e enaltecer o que e quando quiser, para se ser plenamente quem é em estilo, atitude e beleza.

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